Nem mesmo Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, faria melhor.
Noite de lua cheia. Alta madrugada na cidadezinha de Toledo, perdida nas escarpas da serra da Mantiqueira. O vento batia insistentemente na janela e trazia com ele o ranger dolente de um carrinho de mão lá no fim da rua. O som se torna cada vez mais agudo e mais próximo. Moradores abrem discretamente a fresta das janelas para espiar e presenciam o quadro macabro, de arrepiar !!! Aparecido Pedroso de Morais, conhecido pelo comportamento esquizofrênico que carrega desde a infância, vai passando lentamente na rua calçada de bloquetes, empurrando um carrinho de mão. Suas mãos estão sujas de sangue e no carrinho ele leva o corpo inerte de uma mulher toda ensanguentada. Oquadro macabro segue lentamente pela rua sem ser incomodado. Quando se afasta do ultimo poste de iluminação, o “Assassino do carrinho de Mão” despeja o corpo desconjuntado num matagal à beira da estrada e volta lentamente para casa como se tivesse cumprido uma missão.
Aparecido Pedroso de Morais foi abordado pelos homens da lei já em sua casa e rolou com eles na poeira, mas recebeu pulseiras de prata. A mulher do carrinho de mão de Toledo era Regina Alves da Cunha, sem nenhum vinculo com o assassino. Ela era alcoólatra e morava sozinha na pequena cidade.
Os motivos do macabro crime não tem explicação fora da psiquiatria. Segundo a psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva e a médica de família Tatiana Matos, em suas crises o portador de esquizofrenia tem visões que somente a ele faz sentido. Se ele achar que um poste é um padre e ele for católico, vai ter dor de coluna de tanto fazer reverencia e beijar a mão do religioso. No entanto se achar que Madre Teresa de Calcutá é o capeta…. coitadinha da podre santa!!!
Em seus delírios o esquizofrênico Aparecido deve ter visto a pobre alcoólatra Regina com chifres, com o tridente na mão, soltando fogo pelas ventas… e desceu-lhe o borralho até mata-la.