COR DE PÊSSEGO MADURO…

Era época de namoricos furtivos, namoros no alpendre, beijos roubados…

Havíamos chegado à idade adulta, mas ainda conservávamos um pouco da rebeldia da adolescência… e fomos fazer teatro.

Foi como artista de teatro que conhecemos as duas irmãs. Ficamos amigos e sempre nos encontrávamos nas imediações do teatro municipal depois dos ensaios ou das apresentações. Não era apenas amizade… havia também o gostoso flerte próprio de jovens livres, leves e soltos embalados pela canção de Geraldo Vandré: “pra não dizer que não falei das flores”!

Meninas simples da roça, românticas, puras e pudicas, porém cheias de sonhos como é próprio da idade.

Não lembro seus nomes. Mas lembro muito bem suas fisionomias. A mais velha e mais morena, 18 anos, era mais sisuda como convém a uma moça direita. A mais nova, 16 anos, era mais clara, era mais risonha… ria fácil, com a delicadeza de uma menina de família conservadora. O que mais ficou marcado na sua fisionomia foi seu rosto ‘cheinho’ e viçoso e a cor… Tinha cor de pêssego maduro!

Elas passavam a semana na cidade, para trabalhar e estudar, e no fim de semana voltavam para a casa dos pais na fazenda no bairro do Cristal.

Um domingo fomos conhecer seus pais…

Fomos no ônibus da Cipatur até o Faisqueira. De lá subimos a estradinha pedregosa e empoeirada, dobramos o morro e chegamos à fazenda. Passamos a tarde toda explorando o pomar, comendo frutas no pé, até a hora do café e voltamos pra casa. Um inesquecível domingo de 1978.

Época de namoricos furtivos, namoros no alpendre, beijos roubados…

O mundo deu muitas voltas desde então.

A fazenda continua lá, na beira da estrada. A casa grande da família continua a mesma. Só mudou a cor… Era amarela.

E as meninas?

Por onde andará a menina de sorriso cor de pêssego maduro?

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