O assassinato da prostituta

A policia apurou o crime e apontou o assassino… Mas ele continua em liberdade!

Eram onze e meia da manhã daquele domingo, 28 de setembro, quando o camareiro bateu à porta do quarto da pensão da Rua Bom Jesus, no centro de Pouso Alegre. Era hora de fazer o check- out. Na verdade era só desocupar o quarto, pois o hospede que levantara do ninho às cinco e meia da manhã já havia pago a diária. Depois de bater três vezes, o camareiro chamou pela hospede. Como o quarto continuava mudo, ele girou a maçaneta e enfiou os olhos no quarto. O que viu foi assustador! A hospede estava deitada de costas, com a cabeça ligeiramente pendida para fora da cama, completamente inerte! O filete de sangue escuro que escorrera do nariz contrastava com a palidez do seu rosto branco, maltratado por anos e anos de drogas. Estava completamente nua … completamente morta!
A mulher que aparentava cinquenta anos, não tinha mais do que 32. E não portava nenhum documento. Os policiais que primeiro chegaram ao tétrico local, disseram que ela parecia com a “Rubia”, figurinha fácil no álbum da policia por furtos, uso de drogas e tudo o mais que fosse necessário para satisfazer o vício. Inclusive vender o surrado corpo.
A perita criminal que fez os primeiros levantamentos, não encontrou sinais aparentes de violência no corpo. Mas encontrou duas ‘marikas’ no quarto. E sugeriu que a morte se dera por overdose de drogas. O corpo só foi reconhecido pelos familiares no final do dia, no IML.
O exame de necropsia feito na segunda feira de manhã, encontrou um mar de hematomas debaixo do couro cabeludo. E concluiu: Rubia Mara, a prostituta da pensão da Bom Jesus, fora espancada na cabeça, até a morte.
As informações prestadas pelo camareiro à polícia militar, não ajudaram a esclarecer o crime. Ao contrário, confundia. Segundo ele, Rubia chegara à pensão por volta de dez e meia da noite no sábado, com um acompanhante. Às cinco e meia da manhã o acompanhante foi embora. Quando já estava na rua, Rubia teria saído à janela para despedir-se dele, e voltara para os braços de Morfeu.
No final da tarde de segunda feira, fui à Baixada do Mandu. Curiosamente meu Corola com placas do Rio de Janeiro me levou pela “Diquinha”, point de usuários se drogas e de ‘programinhas sexuais de dez reais’…
Quando passava pelo ‘balão’ da Diquinha, notei um grupo de nóias e mariposas sentados na beira da guia. Parei maquinalmente meu carro no meio da rua. Antes que eu desse ré, uma das mariposas se desgarrou do grupo e veio em minha direção. Veio sorrindo, talvez pensando: “ Oba, fisguei um coroa carioca”! Ao chegar perto e se inclinar apoiando na janela do Corola e reconhecer-me, seu sorriso se apagou. Viu que não era ‘cliente’… E fez cara de gato surpreendido comendo toucinho.
Vendo seu constrangimento joguei o verde… E na hora colhi o maduro…!
– Sua amiga morta a pancadas sendo velada la na funerária e vocês aqui fazendo festa…! – censurei eu.
Fechando ainda mais a cara, meio titubeante, a jovem sujinha e desmilinguida desfiou…
– Pois é, nós bem que falamos para ela não ficar com o cara… Ele disse que ia matar ela. – disse a mariposa.
– …E porque? – eu emendei.
– Ela tinha roubado ele! Da outra vez que ela ficou com ele, ela deu o tomé nele… No sábado ele procurou ela de novo. Nós falamos pra ela não ir com ele de novo que ele ia matar ela… – disse a mariposa desviando o olhar do meu.
Em menos de um minuto ali na beira do rio Mandu, com o carro ligado, eu descobri metade do assassinato. Voltei à delegacia e passei o que sabia ao delegado de homicídios. Os pupilos do delegado Gavião descobriram o resto.
O assassino de Rubia Mara era um motorista de caminhão. Ele havia deixado uma carga do Serra Sul Shopping, e, enquanto descansava resolveu matar a saudade da mariposa que havia tomado seu dim-dim no programa anterior. Depois de transar com ela na pensão da Bom Jesus, e matar a saudade da dona… Ele matou também a dona saudade!
Esclarecido o assassinato, o delegado de homicídios pediu a prisão preventiva do assassino.
É só apresentar a ele então as pulseiras de prata?
Não! Não é tão simples assim!
É que o motorista assassino mora do Estado do Espírito Santo. A policia não tem recursos para ir ao Espírito Santo prender o assassino…
Por isso, embora o assassinato da nóia prostituta tenha sido esclarecido em poucos dias, ele continua livre, leve e solto há quase três anos!

É aí que entra em cena aquela velha frase: “Quem tem dinheiro não vai pra cadeia”!
No caso de Rubia Mara a frase é parecida: “ Se a vitima fosse um ‘figurão'”, o assassino já estaria há muito atrás das grades”.
Mas Rubia Mara era apenas uma viciada em drogas! Uma nóis que vendia o próprio corpo para satisfazer o vicio! Por isso ninguém envida esforços para prender o assassino!
Infelizmente é verdade.

Mas afinal, de quem é a culpa?
Pode culpar quem você quiser, menos a policia!
Pois a policia fez a sua parte… Investigou e esclareceu o crime!
… E o assassino continua dirigindo seu caminhão por aí… Em liberdade!

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