O golpe do “aluguel dos sítios” e o jornalismo vazio

O badalado colunista social alugou dezenas de sítios para famílias passarem o réveillon, recebeu adiantado, não fez a reserva dos sítios e nem repassou o dinheiro do aluguel para os donos dos imóveis, e sumiu! O golpe pode ultrapassar 100 mil reais.

Conheci Leandro.com em 1999. Na época nós dois estávamos ‘bombando’. Eu, com uma pagina policial inteira no ‘Sul das Geraes’ e participação diária ‘Direto da Policia’ no programa ‘Esperança tem voz’ do radialista Hilario Coutinho, na Radio difusora AM. Leandro comandava duas horas de programa na 101 FM. Eu veterano no rádio, ele debutante, mas dono de imenso carisma e audiência por conta de sua comunicação solta, afeminada e alegre.
A seu convite, numa manhã ensolarada daquele ano, durante mais de uma hora divertimos seus ouvintes com meus jargões policiais na rádio que se tornaria anos depois Band FM. Na época Leandro.com era apenas o Leandro Oliveira, um jovem jornalista que começando também no colunismo social.
Voltei a ficar frente a frente com o Leandro quinze anos depois, em 2014. A entrevista, outra vez a seu convite, aconteceu na D2 FM de Santa Rita do Sapucaí. Na ocasião falamos do Blog do Airton Chips que, com a mesma linha irreverente, recheada de jargões criados por este colunista tais como “Hotel do Juquinha”, “dobrou a serra do cajuru”, “pulseiras de prata da lei”, entre outros arrebanhava – e arrebanha – milhares de acessos ao blog diariamente mesmo quando não há postagens novas. Falamos também do livro “Meninos que vi crescer” que eu lançaria semanas depois.
Entre um encontro e outro muita coisa aconteceu. Leandro Oliveira virou “Leandro.Com”. Ganhou notoriedade e respeito como jornalista e colunista social. Com seu programa de rádio e jornais impressos ele se tornou um ícone no jornalismo social em Pouso Alegre e região.

Leandro.com na TV Libertas


Mas foi através da TV Libertas, com programas de entrevistas de estúdio ou nas baladas, que Leandro.Com ganhou dinheiro. E rápido. No início da década passada, ainda no começo de carreira, Leandro era o jornalista mais bem pago de Pouso Alegre. Não pelos seus patrões, mas pelos seus patrocinadores! Se os mais bem-sucedidos jornalistas de Pouso Alegre faturavam, talvez, quatro ou cinco salários por mês, Leandro faturava dez ou doze. Segundo fontes não oficiais, ele se dava o luxo de contratar motorista particular enquanto não sabia dirigir!

Leandro entrevistando um socialite


No dia 22 de dezembro passado, de New Jersey, onde estava passando férias, acessei minhas fontes em busca de notícias manduanas. Uma delas chamou minha atenção. Uma jovem estudante procurara a polícia dizendo que havia alugado um sitio do sr. Leandro Silva de Oliveira para as festas de fim de ano e que, ao procurá-lo para os ajustes finais, não conseguiu mais contato com ele. Segundo a estudante o contrato fora celebrado em maio e ela havia pago antecipadamente R$ 4 mil reais.
Pensando tratar-se apenas de um ‘desencontro’ não dei muita importância ao BO. No dia seguinte apareceu outro e mais outro e mais outros BOs do mesmo teor: Nosso querido colunista social, usurpando as funções de corretores de imóveis, havia celebrado vários – mais de uma dúzia – de contratos com pessoas físicas, alugando sítios de terceiros, cuja divulgação fazia em sua pagina pessoal no Face. Alguns pagamentos foram parcelados. Outros foram recebidos à vista, com desconto. Todos sem a anuência dos proprietários dos referidos sítios com os quais Leandro mantinha apenas um “pre-contrato”! Alguns proprietários de sítios alheios às falcatruas do colunista social, alugaram seus imóveis. Quando os clientes ‘do’ Leandro chegaram para passar o réveillon depararam com os sítios naturalmente ocupados!

Leandro divulgando ‘ação entre amigos’


Leandro lesou clientes de todo gosto e lugar. Há pessoas que iriam para o sitio apenas para curtir as festividades de fim de ano com amigos e familiares longe do foguetório e furdunço da cidade; há clientes que viriam de Curitiba passar as festas com amigos. Uma estudante do Inatel alugou um dos sítios para alojar a família durante os festejos de sua formatura, em janeiro. Há também contratos celebrados para o carnaval… Tudo pago antecipadamente.
Leandro no carnaval
Os valores pagos pelos amigos e clientes que confiaram no colunista social variam de R$1,5 e sete mil reais. Os depósitos bancários foram feitos em contas indicadas pelo “corretor” Leandro. Curiosamente, ao menos duas dessas contas pertencem a proprietários dos sítios alugados.
Antes de a bomba estourar, Leandro.Com dobrou a serra do cajuru deixando seus amigos e clientes só com o cabo do guarda-chuva na mão…!
Qual o tamanho do golpe do colunista social?
Ainda não se sabe, até porque alguns foliões que alugaram ‘seus’ sítios para o carnaval, ainda não registraram o boletim de ocorrência. Mas o tombo deve ser da casa de três dígitos!

Mas porque ele fez isso?
Leandro é um malandro enrustido e conquistou a confiança das pessoas para aplicar o golpe?
Não. Não há registros anteriores neste sentido. E Leandro não tem perfil de ‘lombrosiano’.
Mas como aquele garoto alegre e descontraído, o mais badalado e festejado colunista social durante anos, quebrou e se endividou com agiotas?
É que o barco do nosso amigo era de papel! Veio a tempestade na economia, ele se molhou e derreteu!
Com apoio de comerciantes que precisavam mostrar seu produto, ou de amigos simplesmente vaidosos, Leandro construiu um castelo de colunismo social em volta de si. Mas era castelo de areia… a maré da recessão levou tudo de volta para o mar!
Leandro é um garoto legal, mas dedicou-se a um jornalismo vazio, de ocasião, de oba-oba. Badalou as pessoas enquanto elas tinham interesse ou podiam ser badaladas. Mas as pessoas crescem e começam a pisar no chão. Leandro continuou surfando nas nuvens.
Esse tipo de jornalismo não é errado. É apenas um estilo. Um estilo traiçoeiro. De vez em quando é preciso se reinventar e conquistar nova clientela, novos amigos. Leandro certamente ficou parado e não percebeu que a fila estava andando… e as contas vencendo! Aí foi necessário apelar para – segundo ele – os agiotas. E para pagar os agiotas, apelou para o aluguel de sítios…!
Onde está Leandro.Com agora?
Só ele e Deus sabem…
Em um áudio deixado para a ‘posteridade’ o colunista diz que usou o dinheiro para pagar agiotas, e se mostra arrependido…!
Leandro vai ser preso por estelionato quando voltar à Pouso Alegre?
A possibilidade é muito remota. Só quando e, se, for condenado. E isso, pelo andar da carruagem da justiça no Brasil, dificilmente acontecerá antes de dois anos.
Com tantas vítimas do mesmo crime ele vai apodrecer na cadeia?
Não.
Mesmo o delegado responsável pela investigação instaurando inquéritos separados, o comportamento delituoso do colunista social pode se enquadrar em ‘crime continuado’, algo como um único crime agravado pela reincidência. Portanto, no frigir dos ovos, sua pena mal chegará a dois dígitos. Considerando que as leis penais no Brasil, com suas incontáveis brechas e benesses, não são punitivas, mas ‘reeducativas’, Leandro não criará sequer teias de aranha no Hotel do Juquinha. Se ele fosse condenado e começasse a cumprir sua pena na semana que vem, você poderia alugar novamente um sitio para passar o carnaval de 2020 com ele!
À julgar pelo que nossos políticos andam fazendo em Brasilia, em 2020 você até poderia votar nele para vereador, como fez em 2012!
E as pessoas que foram lesadas pelo colunista 171. Vão receber seu dinheiro de volta?
Vão. Todos que o processarem civilmente poderão receber seu ‘aluguel’ de volta… de 2030 em diante! Mas para isso é necessário que o colunista Leandro volte às atividades do jornalismo social – única coisa que fez nos últimos vinte anos – e reerga a carreira! Enquanto isso, nada de festas em sítios…!

Em tempo: Voce meu estimado leitor que tomou prejuízo com o Leandro.Com, saiba que não está sozinho neste barco à deriva. Este colunista policial está no mesmo barco sem remo e sem vela. Ainda no primeiro semestre do ano estarei lançando mais um livro, “MENINOS QUE VI CRESCER” volume II, e o Leandro.Com não estará no ar para entrevistar-me!

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4 respostas em “O golpe do “aluguel dos sítios” e o jornalismo vazio

  1. Puxa, Ultrapuxa !
    Que loucura!!

    Por mais carismático que o moço seja, não vou ser fácil ficar perto das estrelas de outrora ; se reinventar e contornar essa situação vai precisar de muita força de vontade e humildade.

    Porém pelo andar da Carruagem depositar do carnaval vai rolar muito papel e tinta sobre essas corretagens virtuais.

    Desejo sinceramente que o moço mesmo não conhecendo que possa devolver esse dinheiro sujo, e que não faça mais isso.

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  2. Eu e meu filho Bruno fomos contratados por Leandro.Com para fazer uma reportagem em Snta Rita do Sapucai durante o carnaval de 2015. Prometeu o mundo e o fundo. Trabalhamos duro e até hoje não recebemos o que ficou combinado. Pelo que ele representava na sociedade local e regional, achamos melhor esperar e manter a esperança de que um dia, quem sabe, ele acerte conosco o que nos deve! Nós, homens de imprensa, noticiamos os fatos, mas lá no fundo, temos pena, porque era um jovem promissor que não soube aproveitar as oportunidades boas que a vida lhe ofereceu. Onde foram parar os amigos bajulados por Leandro.com?

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