Ele está fazendo 7 anos… Quem ganha o presente sou eu!

Uma pessoa muito especial, que está me ensinando muito…

Desde que ‘voce’ escreveu a crônica “Quatro semanas e meia na UTI-Neonatal”, contando sua chegada ao mundo há 7 anos e finalizou dizendo: “… É só o começo. Me aguardem!!!”, muita coisa aconteceu.
Como chegou mais cedo, mais leve e menor do que os outros bebês, quase tudo em você precisou de mais tempo para desenvolver! Somente quando completou 485 dias de vida, voce soltou as mãozinhas tremulas da grade do berço e caminhou tropegamente até o sofá onde eu estava, para se jogar em meus braços. Impossível esquecer aquela noite morna de 07 de novembro de 2011!
Para balbuciar ‘Mamã’, ‘babai’ e ‘pepeta’ demorou mais de dois anos. E quando começou soltar a voz insistiu que banana era “aboba”, e morango era “ovo”…!
Mas, antes de completar dois anos e meio voce descobriu que o iPad da mamãe era cheio de macaquinhos e outros bichos que se moviam na ponta dos seus dedos! Desde então o iPad mudou de nome: agora é “macaquinho”! Perto dos três anos se tornou um tagarela incorrigível! As pessoas podiam não notar um garotinho miúdo e franzino usando camisa de time de futebol ao meu lado, mas ao ouvir sua voz clara e audível, concordante e coerente, logo esboçavam um sorriso e puxavam prosa com voce! Se falasse de futebol então! o papo iria longe…
– Que camisa bonita! Você torce para o Atlético, é?
– É. Mas eu tenho também do São Paulo, do Flamengo, do Santos, do Vasco, do Galo paranaense…
– Ué, mas para qual deles você torce?
– ‘Uá’… Eu gosto de todos, né…?
– Ah, mas então eu vou te dar uma camisa do Corinthians… Você usa?
– Do Corinthians eu já tenho… A Daniele me deu!
– E do Palmeiras… Voce tem?
– Tenho… Meu pai comprou pra mim no Shopping de Belzonte…!
– E bola, você tem?
– Tenho um tanto lá no meu quintal… Vinte e duas eu joguei no quintal do vizinho! Mas não foi por querer, não… É que eu chutei forte… O meu pai não colocou tela lá ainda…
Dava para perceber que se o papo fosse futebol não teria fim, não é?
Se ele cativava estranhos, imagine o papai coruja aqui? Imagine você sentado no sofá com um livro na mão e de repente ouvir aquela vozinha firme e decidida;
– Pai, eu gosto muito de você… Eu amo você, um tanto assim! – com os braços abertos – me dá um abraço?
– Mas quanto você ama o papai, filhinho…?
– Muuuuiiiinto… Quarenta e mil!
Ou então, do nada, com o dedinho em riste perguntar;
– Pai, por acaso você não tem aí um abraço daquele de dez centavos pra me dar, não?
Melhor mesmo era acordar no meio da madrugada com o ombro descoberto sentindo um suave toque, pensar que é um anjo, abrir os olhos e ouvir o anjo dizer;
– Pai, faz um mamazão daquele bem gostoso pra mim?
Ou então;
– Deixa eu dormir no seu ‘tolinho’?
Aliás, este anjo na beira da minha cama, não me canso de ver. É rara a noite que ele não desce duas ou três vezes do seu quarto. Chega sorrindo e dormindo. Pula para o meio da cama, cola no meu corpo apoiado no meu braço direito e em menos de dois minutos já está roncando, e já posso leva-lo para sua cama! Às vezes retardo… Para sentir aquele calorzinho, ouvindo seu suave ressonar!

Como é bom ser pai depois dos cinquenta…! Que presente eu ganhei pelas ‘bodas de ouro’ de vida…!
Que oportunidade eu teria para curtir a lua prateada ou as estrelas brilhantes nas madrugadas, se não tivesse embalando um bebê nos braços?
Em que outra ocasião eu ficaria horas olhando a chuva fina cair através da vidraça, ou simplesmente ouvindo o som do silencio, dançando com meu anjinho insone no colo?
Quantos pais podem, depois dos cinquenta, abraçar seu bebe desnudo, fazer-lhe cocegas e receber seus carinhos…?
Pois é…
Voltei a sentir o frio das madrugadas, ouvindo o curiango cantar no inverno…
Inúmeras vezes pude reviver o espetáculo de uma chuva fina e perene contra a luz na madrugada enquanto sentia o leve sussurrar do seu sono em meus braços.
Pude novamente contemplar a beleza do nascer do sol atrás da colina, através da vidraça…
Muitas vezes senti um nó entalado na garganta olhando o horizonte, pensando em quanto tempo eu poderia estar com você?
Muitas vezes as lagrimas desceram pela minha face olhando seu corpinho frágil sem poder tirar-lhe as dores?
Reaprendi a chorar…!
Reaprendi a conversar com Deus…
Aliás, você me reaproximou de Deus! Não tem mais um só dia que eu não converse com Ele sobre você, sobre mim, sobre nós…!
Não tem mais uma só noite que eu não feche os olhos e viaje por rios, vales, montanhas, campos floridos para agradecer ao Pai pelo seu sorriso, pelos seus primeiros passos, pela sua voz…!
Talvez por ser um anjo você nos aproxime tanto de Deus!
Sete anos desde que você chegou com menos de um quilo e meio e nos submeteu à primeira prova… De fé, de esperança…
Agora você enche nossa casa, nossa vida, já conta histórias, já tem seus amiguinhos da escola. Tem até os preferidos!
… E já se decidiu: é atleticano! Torce para o Galo em qualquer situação.

O importante mesmo meu filho, é torcer – e jogar – jogar a favor do equilíbrio, do bom senso, da bondade, humildade, da firmeza, da justiça, do respeito pela vida…
Que Deus o abençoe Daniel, e que você possa repetir muitos setes anos de vida sorrindo com saúde, paz e harmonia, com papai & mamãe, com sua irmãzinha, com seus irmãos e todas as pessoas à sua volta.
Te amo Daniel, meu caçulinha… Deus o abençoe sempre!

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5 respostas em “Ele está fazendo 7 anos… Quem ganha o presente sou eu!

  1. Linda, justa, relevante e emocionante homenagem, são palavras extraídas da alma de um pai apaixonado. Parabéns à toda familia. Aposto que ele é seu filho preferido, com o nome de Daniel. Grande abraço!!!

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  2. Lindo texto, aliás,linda declaração de amor ao seu filho caçula!! Parabéns pelas palavras, me emocionei muito com tudo, parabéns para o seu filho!!!
    “O importante mesmo meu filho, é torcer – e jogar – jogar a favor do equilíbrio, do bom senso, da bondade, humildade, da firmeza, da justiça, do respeito pela vida…” Isto sim é são valores que precisamos deixar para os nossos filhos.

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