5ª Caminhada de Fé…

A largada...

A largada…

É o quarto ano seguido. Sempre na mesma ocasião. Sempre a mesma distancia, o mesmo trajeto, nos mesmos dias da semana. Quase sempre os mesmos peregrinos… Mas cada viagem tem suas peculiaridades. Cada viagem é uma nova pagina escrita na vida de cada um que faz a caminhada de fé!

Outra vez pegamos a estrada à caminho de Aparecida… No grupo havia Paulo, Marcos, Tiago e éramos 12… Mas não éramos apóstolos! Não havia no grupo nenhum Judas mas só 11 chegaram ao destino!

Dentre os peregrinos estavam três novatos; Cezinha, Rodrigo e Bruno.

– Bruno? Mas ele não foi no ano passado?

– Ir ele foi, mas foi de carro! Andou apenas meio terço da caminhada, lembram?

 

Amanhece antes do trevo de Consolação...

Amanhece antes do trevo de Consolação…

Todo marinheiro de primeira viagem escreve uma historia mais rebuscada, mais penosa, mais dolorida e precisa de especial atenção dos veteranos. Assim foi com Cezinha que, preparado ou não, cumpriu bem sua missão, chegando junto com o grupo ao destino. Rodrigo veio de São Bernardo do Campo para fazer a caminhada de Pouso Alegre à Aparecida. Se não estava bem preparado fisicamente, espiritualmente estava. Sentiu na pele, nas pernas, nos pés, nos tornozelos, nos músculos,  mais que qualquer um. Quando perguntávamos;

– E aí peregrino… Tudo bem?

Ele acertava a respiração e respondia sem chorumelas;

– Tá. Os olhos não estão doendo… Só o resto do corpo! – E seguia se apoiando no seu cajado. Às vezes um de nós o acompanhava um pouco atrás do grupo. Outras vezes ele saia antes até ser alcançado. Mas chegou bem e feliz… Tinha no peito dois motivos que o levaria à Casa da Mae de qualquer jeito. E voltaria para casa à pé se fosse preciso!

 

Um lanchinho antes de recomeçar a caminhada em "I love Paraisópolis"

Um lanchinho antes de recomeçar a caminhada em “I love Paraisópolis”

O jovem Bruninho, caçulinha da turma este ano, começou bem e parecia que chegaria na frente dos veteranos! Apesar de fazer caretas de dor toda que olhávamos para ele, seguiu superando expectativas, até que no trecho do Ze da Rosa… ‘bateu no tatami’! Foi dormir no conforto da caminhonete do Japão! No terceiro trecho, depois de Piracuama, esboçou reação e parecia que venceria os 50 km finais. Parecia… Antes de cruzar o Rio Paraíba do Sul, pediu agua! O consenso comum é que três viagens dessas vale por uma! Se tentar novamente no que vem terá cumprido sue objetivo!

Marcinho de Santa Rita fez sua segunda tentativa. Em 2013 ele conseguiu caminhar até Paraisopolis até ser vencido por fortes dores musculares. Voltou de ônibus. Semana passada estava curtindo uma praia em Fortaleza e voltou pra casa à tempo de fazer a mochila e juntar-se ao ‘onze’ apóstolos. Estava bem e animado. Até que as pernas começaram ficar pretas e as dores subiram para o abdome. Pela segunda vez voltou de Paraisopolis. Ele não I love Paraisópolis…!

 

Ultima parada anates de descer para comer o mixto quente com 'pingad' duplo na padaria do  português mal-humorado em Santo Antonio...

Ultima parada antes de descer para comer o mixto quente com ‘pingado’ duplo na padaria do
português mal-humorado em Santo Antonio…

A surpresa da vez ficou por conta do veterano “Tiago” “Braga” “Falcon”… Co-fundador do grupo. Nos últimos três meses chegou a perder  vários quilos, inclusive a charmosa barriguinha de advogado para fazer a caminhada. Havia voltado a jogar futebol para readquirir a forma física até que uma contusão o levou para o vestiário. Uma semana antes da viagem tinha certeza que não iria. Chegou a reservar seu espaço no carro de apoio. Mas na hora de sair, paramentou-se, pegou o cajado e saiu andando…

– Vou tentar caminhar até o Itaim – disse ele.

– Vai chegar no máximo no trevo do Costinha – pensamos nós!

Chegou à Aparecida tão inteiro quanto os demais!

 

... Enquanto o trem não vem...!

… Enquanto o trem não vem…!

Newton outra vez usou o confortável banco dianteiro da Duster do Luciano para encurtar a descida da linha férrea da Estação Lefreve até a Pousada Champetre em Piracuama. Deve ser por isso que, com bolhas nos cinco dedos do pé esquerdo, quando propus a ele adiar para o ano que vem aquele nosso clássico ‘tiro’ de cem metros na baixada de Pinda, ele topou de imediato!

Na sua segunda caminhada Lucianinho já é veterano. Basta uns minutos de descanso entre um trecho e outro para estar novo de novo. Marcelo Matos, Machado, Marquinhos e Rick dispensam comentários. Chegaram tão inteiros que se fosse necessário voltariam à pé.

 

O Rick foi mais rápido do que ela...

O Rick foi mais rápido do que ela…

Antes de fechar esta crônica apalpei meus dedinhos do pé esquerdo e conclui; estou pronto para os quatro encontros com a pelota esta semana! À começar por esta segunda…!

O incansável e paciente apoiador Guilherme teve ajuda este ano do companheiro Japão, em dois carros. Até o café feito por eles varias vezes na beira da estrada já está próximo da perfeição!

As maravilhas da internet e seus múltiplos aplicativos já fazem parte desta nossa caminhada. Através do grupo “Marias” nossas esposa e namoradas acompanham nossos passos em tempo real. Se dermos um espirro sobre a ponte do Rio do Peixe elas ficam sabendo e fazem circular a ‘nevoa infectada’ no ‘zap-zap’…! E tem ainda os ‘dengos & chamegos’ incontidos…

– Ai, Tiago, como está o meu filhinho? Será que ele vai aguentar? Ele estava tão resfriadinho ontem! – diz uma ‘maria’.

– O Marquinhos está levando só vinte cartelas de tandrilax… Se o dele acabar você arruma do seu pra ele? – pede outra ‘maria’

 

Se não passar e posar aqui... não valeu!

Se não passar e posar aqui… não valeu!

Tem as ceninhas de ciúme também…

– Cuida do meu marido aí… Se ele olhar para alguém, você puxa a orelha dele e me conta! – diz outra.

E tem razão a ‘maria’ ciumenta… Às vezes uma égua ou uma vaca levanta a cabeça da grama gelada iluminada pela luz da lua cheia para olhar para o bando ofegante que passa. Ou então outra cachorra vem até a beira da estrada com seus latidos estridentes avisar que está cuidando da ninhada e da casa do dono…! Há muito com o que se preocupar…!

O maior susto dessa caminhada passei quando chegava à Paraisopolis na manhazinha de quinta. Ao falar com a Tatiana no celular ela contou que iria aproveitar minha ausência para fazer uma faxina no quartinho da bagunça. Perdi a voz quando ele disse que iria jogar tudo que era velho e inútil no lixo…!!!

– Meu Deus… Quando voltar da caminhada terei que morar no lixão da cidade – pensei por uns segundos!

 

Amancheceu antes de Moreira Cezar...

Amanheceu antes de Moreira Cezar…

Durante os 145 quilômetros de caminhada, às vezes andamos em um grupo só, às vezes dividimos em dois, três e às vezes em duplas. Além dos terços, das piadas, das gozações e chacotas inofensivas entre os caminhantes, conversamos sobre tudo. No final da viagem sabemos até o RG de cada companheiro. Foi comovente ouvir a historia do peregrino Rodrigo. Os motivos que o levaram a fazer sua caminhada! São dois. O primeiro de agradecimento… E a graça quem alcançou não foi ele. Foi um terceiro, sua esposa, que recentemente esteve com a vida literalmente nas mãos de Deus. O segundo, o mais sublime, a realização do proposito do homem… Casado há sete anos, ele quer ser pai! Não tenho duvidas de que ele e a esposa receberão também o segundo milagre! Tenho exemplo em casa…

 

Chegamos. Minha emoção contagiou meu caçulinha...!

Chegamos. Minha emoção contagiou meu caçulinha…!

E para finalizar esta crônica, um paragrafo especial ao peregrino Machado! A caminhada não seria a mesma sem ele! Quando o assunto acaba, é só provocar o Machado! Fazendo o papel de ‘azedo’ ele briga com todo mundo e promete – prometeu pela 5ª vez que essa foi sua ultima caminhada. De cada um ele tem uma queixa. De mim, é porque no ano passado esqueci de citar seu nome! E nisso ele tem razão… Que vacilo o meu esquecer de falar justamente do meu único filho preto!

Mas tudo não passa de brincadeira. Machado não dá o mínimo trabalho e é ele próprio um cajado para apoiar o companheiro e pegar a estrada. Sem ele a Caminhada de Fé  “Santo Antônio Maria Claret & Amigos” não seria a mesma!

 

Missão cumprida!

Missão cumprida!

Até o ano que vem.

Depois de cronometrados 159 mil passos depois, nossas esposas nos esperavam de braços abertos e com a feijoada na mesa...!

Depois de cronometrados 159 mil passos depois, nossas esposas nos esperavam de braços abertos e com a feijoada na mesa…!

 

 

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